O serviço é a única pancada do ténis que o jogador controla por inteiro — e a mais rápida. Os recordes passam dos 250 km/h nos homens e dos 210 km/h nas mulheres, mas há um pormenor que quase todas as listas ignoram: os serviços mais rápidos de sempre não contam como recordes oficiais, porque foram medidos em torneios onde o radar não é calibrado como no circuito principal. Este artigo separa os recordes oficiais dos não oficiais, mostra o que a ATP mede para avaliar um serviço — e porque é que a velocidade, sozinha, ganha menos pontos do que parece.
Dados-chave
O serviço mais rápido medido é de Sam Groth: 263,4 km/h num Challenger em Busan, em 2012 — não reconhecido pela ATP. O recorde oficial é de John Isner, 253,0 km/h na Taça Davis de 2016.
Nas mulheres, Georgina García Pérez chegou aos 220 km/h em 2018, num torneio onde a marca não foi homologada; o recorde oficial da WTA é de Sabine Lisicki, 210,8 km/h, em Stanford, em 2014.
Giovanni Mpetshi Perricard tem o segundo serviço mais rápido alguma vez medido: 237 km/h, em Wimbledon 2025.
Segundo a ATP, um primeiro serviço dá vantagem imediata ao servidor em 58% dos pontos (16% ases, 22% serviços não devolvidos, 20% primeira bola de ataque); um segundo serviço, em apenas 23%.
Como se mede a velocidade de serviço
A velocidade é captada por sistemas de radar e de câmaras instalados nos courts principais dos torneios. Isto tem três consequências que convém conhecer antes de comparar números:
Cobertura parcial: nem todos os courts de todos os torneios medem a velocidade, por isso muitos serviços nunca chegam às estatísticas.
Calibração diferente: nos torneios Challenger e em algumas provas mais pequenas, o equipamento não é calibrado com o mesmo rigor; é por isso que a ATP não reconhece como recorde oficial o serviço mais rápido de sempre.
Erros de leitura: um radar pode registar valores impossíveis; nas listas que circulam, aparecem por vezes velocidades de mais de 300 km/h que nenhuma fonte fiável confirma.
Os serviços mais rápidos: homens
| Jogador | Velocidade | Onde | Estado |
|---|---|---|---|
| Sam Groth (Austrália) | 263,4 km/h (163,7 mph) | Challenger de Busan, 2012 | Não reconhecido pela ATP |
| Albano Olivetti (França) | 257,5 km/h | Torneio Challenger | Não reconhecido pela ATP |
| John Isner (EUA) | 253,0 km/h (157,2 mph) | Taça Davis, 2016 | Recorde oficial |
| Milos Raonic (Canadá) | 249,9 km/h | SAP Open, 2012 | Registado |
| Andy Roddick (EUA) | 249,4 km/h (155,0 mph) | Taça Davis, 2004 | Registado |
| Ben Shelton (EUA) | 241,4 km/h (150,0 mph) | Indian Wells, 2025 | Registado |
Fonte: lista dos serviços mais rápidos registados, que compila as medições oficiais dos torneios e assinala as não reconhecidas.
No segundo serviço, o recorde é de Giovanni Mpetshi Perricard: 237 km/h na primeira ronda de Wimbledon 2025 — mais rápido do que o primeiro serviço da maioria dos jogadores do circuito. Para o francês, de 2,03 m, o segundo serviço não é uma bola de segurança: é uma segunda tentativa de ace.
As servidoras mais rápidas: mulheres

| Jogadora | Velocidade | Onde | Estado |
|---|---|---|---|
| Georgina García Pérez (Espanha) | 220,0 km/h | Budapeste, 2018 | Não reconhecido pela WTA |
| Aryna Sabalenka (Bielorrússia) | 214,0 km/h | WTA Elite Trophy, 2018 | Não reconhecido pela WTA |
| Sabine Lisicki (Alemanha) | 210,8 km/h (131,0 mph) | Stanford, 2014 | Recorde oficial WTA |
| Venus Williams (EUA) | 207,6 km/h | US Open, 2007 | Registado |
| Alycia Parks (EUA) | 207,6 km/h | US Open, 2021 | Registado |
| Ajla Tomljanović (Austrália) | 207,6 km/h | Cincinnati, 2018 | Registado |
| Serena Williams (EUA) | 207,0 km/h | Open da Austrália, 2013 | Registado |
| Coco Gauff (EUA) | 206 km/h | US Open, 2022 | Registado |
Leitura dos dados: entre recordes oficiais, a diferença entre homens e mulheres é de 42,2 km/h (253,0 contra 210,8), cerca de 17%. Mas o mais interessante é o padrão comum aos dois quadros: os dois valores mais altos de cada lista não são oficiais. Quando ouvires que «o serviço mais rápido de sempre» é de 263 km/h, a resposta exata é que é o mais rápido medido — o mais rápido reconhecido é o de Isner.
Velocidade não é tudo: o que a ATP mede
A ATP avalia o serviço com uma métrica chamada «Serve Effectiveness»: a percentagem de pontos em que o serviço dá vantagem imediata ao servidor — com um ace, um serviço não devolvido ou uma primeira bola em posição de ataque. As médias do circuito masculino, publicadas pela ATP em 2023, mostram a distância entre os dois serviços:
| Serviço | Eficácia média | Como se divide |
|---|---|---|
| Primeiro serviço | 58% | Ases 16% · não devolvidos 22% · primeira bola de ataque 20% |
| Segundo serviço | 23% | — |
O que isto significa: mesmo no primeiro serviço, os ases são só 16% dos pontos. Mais de metade da vantagem vem de serviços que o adversário devolve mal ou não devolve, e de um primeiro ataque bem preparado — e isso depende tanto da colocação e da variação como da velocidade. O exemplo mais citado é o do próprio Sam Groth: dono do serviço mais rápido alguma vez medido, nunca passou da terceira ronda de um Grand Slam. O serviço rápido abre o ponto; quem o fecha é o resto do jogo.
Para pôr a velocidade em perspetiva física: a 250 km/h, uma bola percorreria os 23,77 m de comprimento do court em cerca de 0,34 segundos, se não perdesse velocidade no ar e no ressalto — na prática perde, mas a ordem de grandeza mostra porque é que a devolução de um grande servidor depende mais da antecipação do que do tempo de reação.
Como o piso muda o serviço
O radar mede a velocidade da bola à saída da raquete, que é a mesma em qualquer piso. O que muda é o que acontece depois do ressalto: na relva a bola fica baixa e mantém velocidade, por isso o mesmo serviço é mais difícil de devolver; na terra batida, o ressalto alto e lento dá mais tempo a quem devolve e penaliza os grandes servidores; o piso duro fica no meio. A ITF classifica os pisos pela velocidade, de lento a rápido, e as diferenças estão explicadas no artigo sobre piso rápido e piso lento. É por isso que os grandes servidores costumam ter os melhores resultados em Wimbledon — e que um serviço de 230 km/h vale menos em Roland Garros.
Como servir mais rápido
Para quem joga, a velocidade do serviço depende sobretudo de quatro fatores técnicos:
Cadeia cinética: a potência começa nas pernas, passa pela rotação do tronco e só termina no braço. Uma flexão de pernas fraca ou um tronco que não roda são as causas mais comuns de um serviço lento.
Velocidade da cabeça da raquete: é o que mais se relaciona com a velocidade da bola; depende da pronação do antebraço e de um pulso solto no impacto.
Ponto de impacto: bater alto e à frente dá um ângulo de entrada mais favorável; um lançamento inconsistente obriga a compensar e rouba potência.
Força específica: trabalho de rotação, de core e de explosividade das pernas ajuda a transferir mais energia para a raquete.
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Usar ferramenta →Os recordes impressionam, mas os números da ATP dizem que o serviço vale pelo ponto que prepara, não pelos quilómetros por hora. Para ver como a velocidade dos pontos se reflete na duração dos jogos, vê o artigo sobre quanto dura um set, um encontro e um Grand Slam.