João Sousa chegou ao 28.º lugar do ranking ATP a 16 de maio de 2016 — o melhor ranking de sempre de um tenista português. Oito anos depois, a 9 de setembro de 2024, Nuno Borges chegou ao 30.º e tornou-se o segundo português no top 30. Dois picos separados por dois lugares, duas carreiras muito diferentes. Este artigo compara o que os dois fizeram de facto — títulos, Grand Slams, ranking — e o que falta a Borges para passar à frente.

Os números-chave

  • João Sousa: 28.º do mundo em maio de 2016, quatro títulos ATP em onze finais e 220 vitórias no circuito principal até ao último jogo, no Estoril, em abril de 2024.

  • Nuno Borges: 30.º em setembro de 2024 e um título ATP, em Båstad, com vitória sobre Rafael Nadal na final.

  • Nos Grand Slams, empate: os dois chegaram duas vezes aos oitavos de final — Sousa no US Open 2018 e em Wimbledon 2019, Borges no Open da Austrália e no US Open de 2024.

  • Em 2025, Borges ganhou 72,3% dos pontos que jogou à rede, o valor mais alto do circuito nessa época, segundo a ATP.

João Sousa: o primeiro a abrir cada porta

Sousa nasceu em Guimarães, a 30 de março de 1989, e aos 15 anos mudou-se para Barcelona, para treinar na academia BTT. O ponto de viragem foi Kuala Lumpur, em setembro de 2013: bateu David Ferrer, primeiro cabeça de série, nos quartos de final, e Julien Benneteau na final, por 2-6, 7-5 e 6-4, depois de salvar um match point. Foi o primeiro título ATP de um português, e semanas depois tornou-se o primeiro português no top 50.

Os outros três títulos chegaram espaçados: Valência, em 2015, frente a Roberto Bautista Agut, depois de três finais perdidas nesse ano; o Estoril Open de 2018, por 6-4 e 6-4 a Frances Tiafoe, o primeiro título ATP de um português em casa; e Pune, em fevereiro de 2022, frente a Emil Ruusuvuori. Pelo meio, os quartos de final no Masters 1000 de Madrid de 2016 levaram-no ao 28.º lugar — o primeiro português no top 30.

Nos Grand Slams, Sousa foi o primeiro português cabeça de série num major (US Open 2014) e chegou duas vezes à segunda semana: aos oitavos de final do US Open 2018 e aos de Wimbledon 2019, onde perdeu com Rafael Nadal por 6-2, 6-2 e 6-2. No Open da Austrália, o melhor foi a 3.ª ronda.

O último encontro de singulares foi a 3 de abril de 2024, na 1.ª ronda do Estoril Open: perdeu com Arthur Fils por 7-5 e 6-4, num jogo que terminou com uma homenagem em court. Terminou com 220 vitórias no circuito principal, 27 delas em Grand Slams.

Nuno Borges: da universidade americana ao top 30

Borges nasceu na Maia, a 19 de fevereiro de 1997, e fez um percurso raro no ténis europeu: jogou ténis universitário nos Estados Unidos, pela Mississippi State, antes de se dedicar ao circuito profissional. Chegou ao topo mais tarde do que Sousa — e o ano que mudou tudo foi 2024.

Em janeiro, no Open da Austrália, bateu Grigor Dimitrov, 13.º cabeça de série, e tornou-se o primeiro português nos oitavos de final do torneio, onde perdeu com Daniil Medvedev. Em julho, venceu Nadal por 6-3 e 6-2 na final de Båstad — o primeiro título ATP, o segundo de um português na era Open, depois de Sousa. Em setembro, no US Open, salvou três match points frente a Jakub Menšík na 3.ª ronda e voltou a chegar aos oitavos, de novo travado por Medvedev. Na segunda-feira seguinte estava em 30.º, o segundo português de sempre no top 30.

Em 2025 fez a melhor época em vitórias no circuito principal — 30, segundo a ATP — e liderou o circuito nos pontos ganhos à rede, com 72,3%. Em 2026, foi o primeiro português a chegar duas vezes à 3.ª ronda de Roland Garros e subiu ao 41.º lugar em agosto, depois dos oitavos de final em Montreal e Cincinnati; em outubro voltou à casa do 50.º. A época, torneio a torneio, está no artigo sobre Nuno Borges e o top 30 ATP em 2026.

As duas carreiras lado a lado

MétricaJoão SousaNuno Borges
Nascimento30 de março de 1989, Guimarães19 de fevereiro de 1997, Maia
Melhor ranking28.º (16 de maio de 2016)30.º (9 de setembro de 2024)
Títulos ATP em singulares4 (Kuala Lumpur 2013, Valência 2015, Estoril 2018, Pune 2022)1 (Båstad 2024)
Finais ATP11—
Melhor resultado em Grand SlamsOitavos de final: US Open 2018, Wimbledon 2019Oitavos de final: Open da Austrália 2024, US Open 2024
EstadoRetirado (abril de 2024)Em atividade

Fontes: ATP Tour e as notícias citadas no texto. Deixámos em branco o número de finais de Borges porque as fontes que consultámos não o indicam de forma consistente.

A nossa leitura: nos dois números mais citados — melhor ranking e Grand Slams —, a diferença entre os dois é quase nenhuma: dois lugares no ranking e o mesmo teto nos majors, os oitavos de final, alcançado duas vezes por cada um. Onde Sousa se distingue é nos títulos (quatro contra um) e na duração: foi campeão em 2013 e ainda em 2022. Onde Borges se distingue é no tipo de resultado: o único português a ganhar uma final a Nadal e o primeiro nos oitavos de final em Melbourne.

Como ler uma comparação destas

O melhor ranking mede um pico de algumas semanas; os títulos e os Grand Slams medem o que fica. Para comparar carreiras de tenistas, olha para as três coisas juntas e para quanto tempo cada uma durou — um jogador que vence torneios em anos diferentes, como Sousa em 2013 e em 2022, mostra uma regularidade que o ranking máximo, sozinho, não capta.

O que falta a Borges para passar à frente

Com 29 anos em 2026 e o ranking perto do 50.º, Borges tem três marcas de Sousa por alcançar ou bater:

  • O ranking: passar do 28.º lugar faria dele o português mais bem classificado de sempre.

  • Os títulos: tem um, Sousa tem quatro — e Sousa ganhou-os todos em torneios ATP 250.

  • Os Grand Slams: nenhum dos dois passou dos oitavos de final. Uns quartos de final num major seriam o melhor resultado de sempre de um português.

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Para seguir os torneios que faltam até ao fim da época e o arranque de 2027, vê o calendário ATP/WTA de 2026.

Duas carreiras, a mesma porta

Sousa abriu quase todas as portas do ténis português: o primeiro título ATP, o primeiro top 50, o primeiro top 30, a primeira segunda semana de um Grand Slam. Borges já passou por várias delas e abriu uma nova, a de vencer Nadal numa final. Pelos números, o debate sobre o melhor tenista português de sempre ainda pende para Sousa, pelos títulos e pela longevidade — mas a distância é mais curta do que a fama dos dois sugere, e decide-se nos próximos anos de Borges, não nos dados do passado.