88 pontos, 28 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, 66 golos marcados e apenas 18 sofridos: o FC Porto foi campeão da Liga Portugal 2025/26 — o 31.º título nacional — com a melhor defesa do campeonato e com seis pontos de vantagem sobre o Sporting. O curioso é que não teve o melhor ataque nem sequer a melhor diferença de golos (foi a terceira do top 3), e que o Benfica acabou a época sem perder um único jogo. Este artigo usa a classificação final e os números oficiais para explicar como é que o título se decidiu: menos nos golos marcados e mais nos pontos que cada equipa deixou fugir.
O essencial
Porto 88 pontos (28V-4E-2D, 66-18), Sporting 82 (25V-7E-2D, 89-24) e Benfica 80 (23V-11E-0D, 74-25).
O Porto ganhou com a melhor defesa (18 golos sofridos, 0,53 por jogo), mas o Sporting marcou mais 23 golos e teve melhor diferença de golos (+65 contra +48).
O Benfica terminou sem derrotas e ficou em terceiro: os 11 empates custaram-lhe 22 pontos face a vitórias.
Diogo Costa terminou a Liga com 21 jogos sem sofrer golos em 33, o melhor registo do campeonato.
O título ficou decidido na 32.ª jornada, a 2 de maio de 2026: 1-0 ao Alverca no Dragão, golo de cabeça de Jan Bednarek na sequência de um canto de Gabri Veiga.
A classificação final: como se decidiu o título
A classificação final da Liga Portugal 2025/26, terminada a 16 de maio de 2026, mostra três equipas muito diferentes no topo:
| Equipa | Pontos | V-E-D | Golos | Diferença | Pontos por jogo |
|---|---|---|---|---|---|
| FC Porto | 88 | 28-4-2 | 66-18 | +48 | 2,59 |
| Sporting | 82 | 25-7-2 | 89-24 | +65 | 2,41 |
| Benfica | 80 | 23-11-0 | 74-25 | +49 | 2,35 |
Pontos por jogo: cálculo sportmetricslab.com sobre 34 jornadas.
Leitura dos dados: Porto e Sporting perderam o mesmo número de jogos (dois). A diferença de seis pontos está toda nos empates: o Porto empatou quatro vezes, o Sporting sete — três empates a mais são exatamente seis pontos. O Benfica levou isto ao extremo: foi a única equipa sem derrotas, mas os 11 empates deixaram-no a oito pontos do campeão. Num campeonato a 34 jornadas, transformar empates em vitórias valeu mais do que marcar muitos golos: o Sporting marcou mais 23 golos do que o Porto e acabou em segundo.
A melhor defesa: 18 golos em 34 jogos
O número que melhor descreve o Porto de Francesco Farioli é o dos golos sofridos: 18 em 34 jornadas, 0,53 por jogo, contra 24 do Sporting e 25 do Benfica. Foi a melhor defesa do campeonato por seis golos.
Na baliza, Diogo Costa terminou a Liga com 21 jogos sem sofrer golos em 33 — quase dois em cada três —, à frente de Lazar Carevic (17) e Rui Silva (14). Atenção a um pormenor quando comparares fontes: há sites que contam só a Liga e outros que somam todas as competições, e os números de «clean sheets» do Diogo Costa variam entre 20 e 27 conforme o critério. O que é consistente em todas é que foi o guarda-redes com mais jogos sem sofrer golos no campeonato.
O que isto significa: uma baliza a zero em 64% dos jogos dá uma margem enorme — basta um golo para ganhar. O próprio jogo do título é o exemplo: um 1-0 decidido num canto. Não dá para separar, só com dados públicos, quanto disto é mérito do guarda-redes e quanto é do sistema defensivo à frente dele; o que os números mostram é que, nesta época, a equipa que menos golos sofreu foi também a que menos pontos deixou fugir.
O ataque: 66 golos e quem os fez
66 golos em 34 jogos são 1,94 por jogo — bem abaixo dos 2,62 do Sporting. O ataque do Porto foi mais curto e mais distribuído. Segundo o balanço do próprio clube depois do jogo do título:
Samu foi o melhor marcador da equipa na Liga, com 13 golos (20 em todas as competições).
Gabri Veiga e Alberto Costa somavam 9 assistências cada, no terceiro lugar da Liga; Alberto Costa foi o defesa com mais assistências do campeonato.
William Gomes foi o jogador da Liga com mais golos saídos do banco.
Ao longo da época, 30 jogadores foram utilizados e receberam as faixas de campeão.
Na prática
Se acompanhas futebol com dados, a época de 2025/26 é um bom exemplo de porque é que a diferença de golos não chega para prever um campeão: o Sporting teve a melhor, o Benfica não perdeu, e ganhou quem empatou menos. Para comparar jogadores com minutos diferentes — um titular e alguém como William Gomes, que marcou muitas vezes a sair do banco —, normaliza os números por 90 minutos.
Normaliza as estatísticas de qualquer jogador de futebol para 90 minutos — golos, assistências, remates, passes-chave e duelos — para comparações justas.
Usar ferramenta →A época: do 3-0 inicial ao título a duas jornadas do fim
A época abriu a 11 de agosto de 2025 com um 3-0 ao Vitória de Guimarães no Dragão. Nos clássicos com o Benfica, houve um 0-0 no Dragão e um 2-2 na Luz, em março de 2026. As duas derrotas na Liga foram as únicas manchas de uma época de 28 vitórias; uma delas, por 3-1 na casa do AVS a 10 de maio, já com o título garantido.
O momento decisivo chegou na 32.ª jornada, a 2 de maio de 2026: 1-0 ao Alverca no Estádio do Dragão, com Jan Bednarek a marcar de cabeça aos 40 minutos, na sequência de um canto de Gabri Veiga. Foi o primeiro título do Porto desde 2022, com duas jornadas por jogar, e a época fechou a 16 de maio, com a receção ao Santa Clara.
O que o título vale
Liga dos Campeões 2026/27: o campeão entra diretamente na fase de liga, e só a participação garante 18,62 milhões de euros, segundo o modelo de distribuição de receitas da UEFA para 2024–27, antes de qualquer prémio por resultados.
Simbolicamente: o primeiro título nacional com André Villas-Boas como presidente, eleito em abril de 2024, e o primeiro campeonato de Francesco Farioli como treinador principal.
O Porto de 2025/26 não ganhou pelo espetáculo: ganhou porque sofreu menos golos do que todos e perdeu menos pontos em empates do que os rivais. Com o Sporting a marcar mais e o Benfica sem derrotas, foi a época em que a regularidade valeu mais do que tudo o resto. Para outro exemplo de métricas de longevidade e rendimento no futebol português, vê a análise sobre Cristiano Ronaldo em 2026.