Qual é a estação do HYROX que gasta mais energia? A resposta honesta começa por uma ressalva: nenhum estudo publicado mediu as calorias gastas em cada estação. O que existe são medições de frequência cardíaca, lactato e esforço percebido — e, no meu caso, os dados do relógio e os tempos de cada estação nas minhas provas. Com isso dá para responder bem a uma pergunta um pouco diferente, e mais útil: onde é que a prova te cobra mais, e porquê.

Dados-chave

  • No primeiro estudo científico sobre o HYROX (11 atletas recreativos), o lactato médio nas estações foi de 8,5 mmol/L, acima do das corridas, e o esforço percebido foi de 18 nas estações contra 16 nas corridas (escala de 6 a 20).

  • Os wall balls registaram os valores mais altos de frequência cardíaca, lactato e esforço percebido de toda a prova.

  • No Level Gym, as minhas estações mais longas foram os sandbag lunges (7:36) e os wall balls (6:45) — juntas, 37% do tempo passado nas estações.

  • O relógio estimou 1 312 kcal ativas em Rimini e 781 kcal no Level Gym, em provas de duração parecida. As estimativas de calorias de um relógio dependem muito do modo de treino escolhido.

O que a ciência mediu

O estudo de Brandt e colegas (Frontiers in Physiology, 2025) acompanhou 11 atletas recreativos numa simulação da prova, com as regras da divisão Open individual. Os resultados por estação são poucos, mas claros:

  • As estações são mais intensas do que as corridas: lactato médio de 8,5 mmol/L nas estações, mais alto do que nas corridas, e esforço percebido de 18 contra 16.

  • Os wall balls são o pico da prova: foi aí que se registaram os valores mais altos de frequência cardíaca, lactato e esforço percebido.

  • A prova é feita quase toda a intensidade muito alta: cerca de 80% do tempo, com uma frequência cardíaca máxima média de 185 bpm.

O estudo não mediu o consumo de oxigénio estação a estação, por isso não permite dizer quantas calorias custa cada uma. Tabelas que atribuem «X kcal ao sled push» a partir de equivalentes metabólicos genéricos são estimativas, não medições.

As minhas estações, cronometradas

Na HYROX Simulation do Level Gym, em março de 2026, fiz a prova individual e tenho o tempo de cada estação. Somadas, as oito estações demoraram 38:57, um pouco mais do que as oito corridas (36:37). Os lunges incluem cerca de três minutos perdidos com cãibras.

EstaçãoDistância / repetições (Open masculino)O meu tempoParte do tempo nas estações
SkiErg1000 m4:1511%
Sled push50 m, 152 kg com o trenó2:457%
Sled pull50 m, 103 kg com o trenó3:5910%
Burpee broad jumps80 m5:3514%
Remo1000 m4:3612%
Farmers carry200 m, 2 × 24 kg3:279%
Sandbag lunges100 m, 20 kg7:3620%
Wall balls100 repetições, 6 kg6:4517%
Tempo em cada estação no Level Gym (min:s)
Sandbag lunges7:36
Wall balls6:45
Burpee broad jumps5:35
Remo4:36
SkiErg4:15
Sled pull3:59
Farmers carry3:27
Sled push2:45

Os meus tempos na HYROX Simulation do Level Gym, 7 de março de 2026. Pesos e distâncias da divisão Open masculina, segundo o regulamento de 2025/26.

Leitura dos dados: como a energia gasta é a intensidade vezes o tempo, as estações longas e intensas são as que mais pesam no total. Os wall balls juntam as duas coisas: são das estações mais longas e, segundo o estudo, as mais intensas da prova. Os lunges foram os mais longos no meu caso (com cãibras pelo meio), e os burpee broad jumps vêm logo a seguir. No extremo oposto, o sled push é muito intenso mas curto — 2:45 no meu caso —, por isso pesa pouco no total, mesmo deixando as pernas destruídas para a corrida seguinte. O farmers carry é das estações tecnicamente mais simples, mas cansa a pega e a postura antes das duas estações mais duras.

O que o relógio diz — e o que não diz

O meu Apple Watch estimou 1 312 kcal ativas (1 459 no total) em Rimini, uma prova oficial com 1:24:53 de registo, e 781 kcal ativas (915 no total) no Level Gym, com 1:16:24 de registo. A diferença é grande para provas com duração parecida, e há uma explicação provável: em Rimini gravei o treino como HIIT e no Level Gym como corrida ao ar livre, e cada modo usa um modelo de cálculo diferente. Para comparar provas, os números do relógio servem mais como tendência do que como valor absoluto — e só são comparáveis entre si se gravados sempre no mesmo modo.

A frequência cardíaca também é individual: no estudo, a máxima média foi de 185 bpm; nas minhas três provas, nunca passou dos 168. Comparar zonas ou batimentos entre pessoas diz pouco; comparar as tuas provas umas com as outras diz muito.

Como usar isto na preparação

  • Treina wall balls cansado. São o pico de intensidade da prova e chegam no fim. Séries depois de corrida ou de lunges aproximam-se mais do que vais sentir.

  • Não subestimes os lunges e os burpees. Pela duração, são das estações que mais tempo e energia te tiram; trabalho de força de pernas e de resistência muscular paga-se aqui.

  • Gere os sleds a pensar na corrida seguinte. São curtos, mas a corrida a seguir sente-os: na BEATx, a corrida depois do sled push foi 43 segundos mais lenta do que a anterior.

  • Planeia os hidratos. Antes de Rimini tomei dois géis; na BEATx, a minha parceira e eu tomámos um gel cada durante o remo — a meio da prova, antes das estações mais longas.

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A estação que «gasta mais energia» não tem resposta medida — mas os dados que existem apontam para o mesmo sítio: os wall balls, pela intensidade, e as estações longas do fim da prova, pelo tempo. Para ver como esse desgaste se reflete nas corridas entre estações, vê o artigo sobre o pace no HYROX e a economia de corrida; e, para os erros que custam tempo extra em cada estação, o das penalizações no HYROX.