A 9 de outubro de 2026, em férias, em San Vito Lo Capo, corri 5 km em 23:42 — 4:44 por quilómetro — e fiquei com um objetivo: baixar dos 20 minutos, o que obriga a correr a 4:00/km. Em 2023 tinha feito 10 km em 45:15 na Agrária em Movimento, a cerca de 4:31/km. Lidos com as tabelas certas, números como estes dizem-te quão longe estás de um objetivo e como estruturar o treino para lá chegar. O pace de corrida — o tempo necessário para percorrer um quilómetro — é a métrica central da corrida de fundo, e interpretá-lo corretamente é o ponto de partida de qualquer plano de treino eficaz.

O essencial

  • O pace é o tempo dividido pela distância; a velocidade é o inverso: 60 ÷ pace em minutos dá os km/h.

  • Baixar dos 20 minutos nos 5 km exige 4:00/km, ou 15 km/h. Partindo de 23:42 (12,7 km/h), é preciso correr cerca de 18,5% mais depressa.

  • Os tempos em distâncias diferentes relacionam-se de forma previsível: com as fórmulas de Jack Daniels, um 5 km em 25:00 equivale a cerca de 51:53 nos 10 km e 1:55 na meia maratona.

  • Referência de elite: na EDP Meia Maratona de Lisboa 2026, Samuel Barata fez 1:00:36 (12.º lugar), a 2:52/km.

  • Na passadeira, 1% de inclinação foi a que melhor reproduziu o custo energético da corrida no exterior num estudo clássico com corredores treinados.

O que é o pace e como se calcula

O pace exprime-se em minutos por quilómetro (min/km) e é o inverso da velocidade em km/h. A fórmula é direta: divide o tempo de prova (em minutos) pela distância (em km). Se terminaste um 10 km em 55 minutos, o teu pace médio foi de 5:30 min/km. A conversão inversa é útil na passadeira: 6:00 min/km são 10,0 km/h; 5:00 min/km são 12,0 km/h.

Há três tipos de pace que convém distinguir:

  • Pace médio de prova: o tempo total dividido pela distância — o que aparece nos resultados oficiais.

  • Pace fácil (zona 2): o ritmo confortável das corridas longas e de recuperação, em que consegues conversar. Fica bem acima do ritmo de prova; a calculadora de zonas de pace estima-o a partir de um tempo recente.

  • Pace de limiar: o ritmo que consegues manter perto de uma hora em esforço controlado. Na metodologia de Jack Daniels, fica entre o ritmo de 10 km e o de meia maratona — ou seja, ligeiramente mais lento do que o teu ritmo de 10 km.

Para a relação entre ritmo, esforço e economia de corrida, vê o artigo sobre porque é que o ritmo cai ao longo de uma prova.

Painel de uma passadeira de corrida

Tabela de ritmos por objetivo: do 5 km à maratona

A forma mais útil de usar uma tabela de pace é ao contrário: partir do tempo que queres e ver o ritmo que ele exige.

DistânciaObjetivoRitmo a bater (min/km)Velocidade (km/h)
5 km20:00 / 25:00 / 30:004:00 / 5:00 / 6:0015,0 / 12,0 / 10,0
10 km40:00 / 50:00 / 1:00:004:00 / 5:00 / 6:0015,0 / 12,0 / 10,0
Meia maratona1:30 / 1:45 / 2:004:15 / 4:58 / 5:4114,1 / 12,1 / 10,5
Maratona3:00 / 3:30 / 4:00 / 4:304:15 / 4:58 / 5:41 / 6:2314,1 / 12,1 / 10,5 / 9,4

Cálculo sportmetricslab.com: tempo ÷ distância (21,0975 e 42,195 km), ritmos arredondados ao segundo para baixo.

Aplicação prática

Se treinas em passadeira, usa a coluna da velocidade para definir o painel, com 1% de inclinação. Para o treino fácil, o teste é simples: se não consegues manter uma conversa, abranda meio km/h. A maior parte do volume semanal deve ser feita a esse ritmo confortável — é aí que se constrói a base aeróbia que sustenta os ritmos mais rápidos.

Equivalências entre distâncias

Um tempo numa distância diz muito sobre o que podes fazer noutra. As fórmulas de Jack Daniels e Jimmy Gilbert, que estão na base do VDOT, estimam o tempo equivalente em cada distância a partir de uma prova recente:

5 km10 kmMeia maratonaMaratonaVDOT
20:0041:281:31:503:11:1749,8
22:3046:401:43:273:34:4343,4
25:0051:531:55:043:57:5538,3
27:3057:082:06:384:20:5434,2
30:001:02:232:18:104:43:3930,8
35:001:12:532:40:595:28:3025,6

Cálculo sportmetricslab.com com as equações de Daniels e Gilbert. As equivalências assumem treino específico para cada distância: sem treinos longos, a meia maratona e sobretudo a maratona ficam mais lentas do que a tabela indica.

Leitura dos dados: aplicadas aos meus números, as fórmulas mostram onde estou. Os 45:15 de 2023 nos 10 km correspondem a um VDOT de 45 — o equivalente a 21:49 nos 5 km. Os 23:42 de outubro de 2026 correspondem a 40,8. Para baixar dos 20 minutos, preciso de um VDOT perto de 50: cerca de nove pontos acima do ponto de partida, ou cinco acima do meu melhor de 2023. É o tipo de conta que transforma um objetivo num plano — e diz quanto tempo esse plano deve ter.

Meia maratona e maratona: o que muda nas provas longas

Grupo de corredores amadores

Nas distâncias longas, o ritmo deixa de depender só da capacidade aeróbia e passa a depender da gestão do glicogénio e da resistência específica. É por isso que as equivalências da tabela anterior pressupõem treinos longos — e que sair demasiado rápido custa mais numa maratona do que num 10 km.

As duas grandes provas nacionais de referência são a EDP Meia Maratona de Lisboa, com partida na Ponte 25 de Abril e um percurso onde Jacob Kiplimo bateu o recorde do mundo em 2026 (57:20, a 2:43/km), e a Maratona do Porto, em novembro, com tempo limite de 6 horas. A meia de Lisboa tem um limite de 3 horas — um ritmo de 8:31/km.

Pace e idade: o que dizem os dados

A idade é muitas vezes apresentada como um desconto fixo de segundos por quilómetro e por década. Os dados de massa contam outra história. Numa análise de 300 757 corredores de maratona e meia maratona alemães, Leyk e colegas (2007) encontraram tempos médios praticamente iguais dos 20 aos 49 anos; só dos 50 aos 69 houve uma quebra clara, de 2,6% a 4,4% por década. O mesmo grupo, com mais de 400 000 tempos de maratona, voltou a encontrar pouca diferença até aos 55 anos.

A nossa leitura: 3,5% por década, aplicado a um ritmo de 5:30/km, são cerca de 11 segundos por quilómetro — e só depois dos 50. Mas estes números vêm de campos de corredores amadores, em que muitos atletas mais velhos começaram a correr tarde e ainda estão a progredir; a quebra fisiológica real, em atletas treinados de forma constante, começa mais cedo. Para o lado prático — ritmos de treino por idade e nível —, vê o guia sobre o ritmo de corrida por idade e nível.

Como usar estas tabelas no teu treino

  • Define o teu ponto de partida: faz um teste de 5 ou 10 km a esforço máximo, num percurso plano ou em pista. Esse tempo é a tua referência.

  • Calcula as tuas zonas: a partir dele, a calculadora de zonas de pace estima os ritmos fácil, de limiar e de intervalos.

  • Escolhe um objetivo realista: usa a tabela de equivalências para ver o que o teu tempo atual prevê noutras distâncias, e a tabela de ritmos para saber o que o objetivo exige.

  • Revê a referência a cada 4 a 6 semanas: um novo teste mostra se o plano está a resultar e ajusta as zonas.

Juntar o pace à frequência cardíaca ajuda a ver progressos que o cronómetro ainda não mostra: se o mesmo ritmo, no mesmo percurso e com condições parecidas, passa a sair com menos batimentos, a tua economia de corrida melhorou. A mesma lógica de comparar contigo próprio vale para os benchmarks de HYROX.

Passadeira vs. exterior: o que os dados dizem

Na passadeira não há resistência do ar, e o tapete em movimento muda ligeiramente a mecânica da passada. Num estudo clássico, Jones e Doust (1996) mediram o consumo de oxigénio de nove corredores treinados a seis velocidades, na estrada e na passadeira com várias inclinações: 1% de inclinação foi a que melhor reproduziu o custo energético da corrida no exterior. É por isso que essa é a recomendação habitual para treinar em plano na passadeira — com a ressalva de que o estudo usou corredores treinados e velocidades de treino, não de passeio.

Na minha experiência a diferença é grande: com menos esforço consigo um pace mais baixo na passadeira, que nem reflete os paces que faço no exterior. Uso-a, mas é por isso que o treino na rua continua a ser o que conta para preparar uma prova.

Ferramenta Calculadora de Pace de Corrida — Pace, Velocidade e Tempos

Converte o teu pace entre min/km, km/h, min/milha e mph — e vê os tempos projetados para 5K, 10K, meia maratona e maratona.

Usar ferramenta →

O que mais nos perguntam

O que é o pace numa corrida?

O pace é o tempo necessário para percorrer um quilómetro, em minutos e segundos (por exemplo, 5:30 min/km). É a métrica mais usada pelos corredores de fundo para planear e avaliar a intensidade dos treinos e das provas.

Qual é o pace ideal para um iniciante?

O ritmo em que consegues correr e conversar ao mesmo tempo. Para quem está a começar, o objetivo das primeiras semanas é correr com regularidade e sem lesões, não um número no relógio; o ritmo melhora com a consistência.

Como calculo o meu pace?

Divide o tempo total (em minutos) pela distância (em km). Por exemplo: 54 minutos para 10 km dão 5:24 min/km. Para converter velocidade em pace, divide 60 pela velocidade em km/h: a 10 km/h, o pace é de 6:00 min/km.

Que tempo de meia maratona corresponde ao meu 10 km?

Pelas equações de Daniels e Gilbert, um 10 km em 45:15 corresponde a cerca de 1:40 na meia maratona, e um em 51:53 a cerca de 1:55 — desde que treines a distância, com treinos longos.

Qual é a diferença entre pace e velocidade?

São a mesma informação, expressa ao contrário. O pace (min/km) diz quanto tempo demoras por quilómetro; a velocidade (km/h), quantos quilómetros fazes por hora. 5:00 min/km são 12 km/h; 6:00 min/km, 10 km/h.

Como usar estas tabelas

O pace é mais do que o número no relógio ou no painel da passadeira: é uma ferramenta de diagnóstico, de prescrição de treino e de acompanhamento da progressão. Usa a tabela de ritmos para saber o que um objetivo exige, a de equivalências para saber se esse objetivo é realista a partir do teu tempo atual, e reavalia a cada bloco de treino. O resto faz-se a correr — e, como no meu caso, com um objetivo concreto em vista.