A 8 de março de 2026, Jacob Kiplimo correu a EDP Meia Maratona de Lisboa em 57:20, sem lebres, e bateu o recorde do mundo da distância. A World Athletics ratificou-o a 3 de setembro — mas, nessa altura, a marca já tinha caído: a 23 de agosto, Yomif Kejelcha fez 56:51 em Buenos Aires. Do lado feminino, Tsigie Gebreselama voltou a ganhar, em 1:04:48. Este artigo junta os resultados oficiais da edição de 2026, a história recente do recorde, o percurso e o que estes números dizem a quem corre a meia maratona sem ser de elite.
Dados-chave
Kiplimo venceu em 57:20, recorde do mundo ratificado a 3 de setembro de 2026; passou os 5 km em 13:28 e os 10 km em 27:00.
O recorde durou cinco meses e meio: Kejelcha correu 56:51 em Buenos Aires a 23 de agosto, marca ainda à espera de ratificação.
Gebreselama ganhou pela segunda vez seguida (1:04:48), depois de ter feito o recorde da prova em 2025 (1:04:21).
Os melhores portugueses foram Samuel Barata (12.º, 1:00:36) e Mariana Machado (9.ª, 1:10:10).
Quando Kiplimo cortou a meta, um corredor a ritmo de 2 horas ia pouco depois dos 10 km.
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Os resultados de 2026

Os resultados oficiais estão na página da prova na World Athletics:
| Posição | Atleta | País | Tempo | Ritmo por km |
|---|---|---|---|---|
| 1.º | Jacob Kiplimo | Uganda | 57:20 (recorde do mundo) | 2:43 |
| 2.º | Nicholas Kipkorir | Quénia | 58:08 | 2:45 |
| 3.º | Gilbert Kipkosgei Kiprotich | Quénia | 58:59 | 2:47 |
| 12.º | Samuel Barata | Portugal | 1:00:36 | 2:52 |
| 1.ª | Tsigie Gebreselama | Etiópia | 1:04:48 | 3:04 |
| 2.ª | Janeth Chepngetich | Quénia | 1:06:50 | 3:10 |
| 3.ª | Regina Wambui | Quénia | 1:07:10 | 3:11 |
| 9.ª | Mariana Machado | Portugal | 1:10:10 | 3:19 |
Ritmos calculados por sportmetricslab.com sobre 21,0975 km.
Leitura dos dados: Kiplimo correu sem lebres, o que torna o tempo ainda mais raro — segundo a crónica da World Athletics, passou os 5 km em 13:28 e chegou aos 10 km em 27:00, ainda acompanhado por Nicholas Kipkorir, que acabou em segundo a 48 segundos. Samuel Barata ficou a 3:16 do vencedor, cerca de 9 segundos por quilómetro. No feminino, Gebreselama foi a primeira mulher a ganhar duas vezes seguidas em Lisboa desde Susan Chepkemei, em 2002, embora 27 segundos mais lenta do que o recorde da prova que ela própria fez em 2025.
O recorde do mundo: de Lisboa a Buenos Aires
Lisboa tem uma relação antiga com o recorde da meia maratona. A história recente explica porque é que o 57:20 de 2026 foi tão comentado — e porque durou tão pouco:
| Data | Atleta | Prova | Tempo | Estado |
|---|---|---|---|---|
| 21 mar. 2010 | Zersenay Tadese (Eritreia) | Meia Maratona de Lisboa | 58:23 | Recorde do mundo |
| 21 nov. 2021 | Jacob Kiplimo (Uganda) | Meia Maratona de Lisboa | 57:31 | Recorde do mundo |
| 27 out. 2024 | Yomif Kejelcha (Etiópia) | Meia Maratona de Valência | 57:30 | Recorde do mundo |
| 16 fev. 2025 | Jacob Kiplimo | Meia Maratona de Barcelona | 56:42 | Não ratificado (carro de apoio à frente) |
| 8 mar. 2026 | Jacob Kiplimo | EDP Meia Maratona de Lisboa | 57:20 | Ratificado a 3 set. 2026 |
| 23 ago. 2026 | Yomif Kejelcha | Meia Maratona de Buenos Aires | 56:51 | À espera de ratificação |
O 56:42 de Barcelona, em 2025, nunca contou: a World Athletics não o ratificou por causa da ajuda de um carro de apoio que seguia à frente dos atletas. Foi por isso que o 57:20 de Lisboa, feito sem lebres, se tornou o recorde oficial — ratificado 179 dias depois da prova, quando Kejelcha já tinha corrido 56:51 em Buenos Aires. Se também esse tempo for ratificado, o recorde de Lisboa terá durado cinco meses e meio.
Os vencedores das últimas edições
| Ano | Masculino | Feminino |
|---|---|---|
| 2024 | Dinkalem Ayele (Etiópia) | Brigid Kosgei (Quénia) |
| 2025 | Abdi Waiss (Djibuti), 59:44 | Tsigie Gebreselama (Etiópia), 1:04:21 — recorde da prova |
| 2026 | Jacob Kiplimo (Uganda), 57:20 — recorde do mundo | Tsigie Gebreselama (Etiópia), 1:04:48 |
Fontes: Renascença (2024), Renascença (2025) e World Athletics (2026). Atenção a não confundir com a meia maratona de outubro, que faz parte do fim de semana da Maratona de Lisboa e tem outro percurso.
O percurso

A EDP Meia Maratona de Lisboa parte do tabuleiro da Ponte 25 de Abril — em 2026, às 9h30, com a Vodafone 10K a sair às 10h05. Depois de descer da ponte, o percurso segue junto ao Tejo para nascente, faz o retorno junto à estátua do Duque da Terceira, no Cais do Sodré, e volta para poente, entrando em Belém por volta do 12.º quilómetro; a meta fica em Belém. É uma das provas da série SuperHalfs e, com um traçado quase todo plano junto ao rio, um dos sítios mais rápidos do mundo para correr a distância — como mostram os recordes do mundo feitos em Lisboa em 2010, 2021 e 2026.
Para quem corre, isto traduz-se em três fases:
A ponte e a descida. Os primeiros quilómetros são os mais tentadores para acelerar: há adrenalina, multidão e a descida da ponte até à zona ribeirinha. É onde se perdem mais provas por excesso de ritmo.
Até ao retorno no Cais do Sodré. Terreno plano, ideal para estabilizar o ritmo-alvo. Junto ao rio, o vento pode ajudar num sentido e travar no outro.
De volta a Belém. A segunda metade é feita no sentido contrário; se o vento soprar de poente, é aqui que se sente. Guarda energia para os últimos quilómetros.
O que estes números dizem a um corredor amador
Os resultados individuais de cada edição são publicados pela organização — é aí que deves comparar o teu tempo com o de quem corre no teu escalão, em vez de usares médias estimadas. O que se pode fazer com rigor é pôr o recorde em perspetiva e saber que ritmo exige cada meta:
| Meta na meia maratona | Ritmo médio a bater (min/km) | Onde estarias quando Kiplimo acabou (57:20) |
|---|---|---|
| Abaixo de 1h30 | 4:15 | 13,4 km |
| Abaixo de 1h45 | 4:58 | 11,5 km |
| Abaixo de 2h00 | 5:41 | 10,1 km |
| Abaixo de 2h15 | 6:23 | 9,0 km |
| Abaixo de 2h30 | 7:06 | 8,1 km |
Cálculo sportmetricslab.com: tempo-alvo ÷ 21,0975 km, ritmos arredondados ao segundo para baixo; a última coluna é a distância percorrida em 57:20 a esse ritmo.
Na prática: escolhe uma meta, treina o ritmo correspondente e corre os primeiros quilómetros — os da ponte — ligeiramente abaixo dele. Para calcular o teu ritmo a partir de um tempo recente, ou o tempo que um ritmo te dá, vê o guia sobre como calcular o pace; para definir os ritmos de treino a partir do objetivo, a calculadora de zonas de pace; e, para a alimentação antes e durante a prova, o planificador de nutrição para corrida.
A edição de 2026 deixou um recorde do mundo, uma bicampeã e dois portugueses no top 12 — e um lembrete de como os recordes da meia maratona estão a cair depressa: três marcas abaixo dos 57:31 em menos de dois anos, uma delas feita em Lisboa. Para a próxima edição, o percurso continua a ser dos melhores do mundo para um recorde pessoal; o resto depende do ritmo com que se desce a ponte.