A fadiga no HYROX não é linear. Não se acumula ao mesmo ritmo do início ao fim — cresce em saltos, dependendo de qual estação acabaste de fazer e quanto tempo passou. Esta ferramenta estima o teu nível de fadiga relativa em cada ponto da prova, ajudando-te a planear quando atacar e quando conservar.
Como o modelo de fadiga é construído
O modelo divide a fadiga em três componentes:
- Fadiga aeróbia — acumulada continuamente ao longo dos 8 km de corrida, em função do pace e da duração total. Cresce gradualmente.
- Fadiga muscular específica — pico após cada estação, com tempo de recuperação parcial durante a corrida seguinte. Cada estação ataca grupos musculares diferentes — o sled push esgota os quadricípites; os burpees broad jumps esgotam o sistema todo; os wall balls esgotam ombros e pernas em simultâneo.
- Fadiga neurológica — degradação da capacidade de produção de força a partir da estação 4–5, independente da queima muscular. É a razão pela qual a forma técnica nas últimas estações fica visivelmente pior, mesmo para atletas experientes.
A fadiga total em cada ponto é a soma ponderada destas três componentes, normalizada para uma escala de 0 a 100. Os "picos" são os momentos imediatamente após estações exigentes; os "vales" são durante a corrida quando a recuperação parcial entra em acção.
Os pontos críticos da prova
Há três momentos onde a fadiga relativa salta acima de 70%:
- Pós-Sled Pull (estação 3) — combinação Sled Push + Sled Pull em sequência, sem corrida entre eles, devasta os quadricípites. Muitos atletas reportam aqui a primeira "crise" mental.
- Pós-Burpee Broad Jump (estação 4) — 80 m de burpees é cardiovascularmente brutal. A frequência cardíaca aproxima-se do máximo e a recuperação no km de corrida seguinte é parcial.
- Pós-Sandbag Lunges (estação 7) — 100 m de lunges com 20 kg às costas. Esta é a estação que mais corredores subestimam. Chegas aos wall balls com pernas que mal te seguram.
Como usar o output da calculadora
Não como ordem literal. O modelo dá-te uma previsão de onde a fadiga vai estar mais alta. Usa isso para:
- Planear o pacing dos sleds — atacar o sled push com 100% nas duas primeiras estações é fácil. Atacar o sled pull com 100% quando já sentes os quadricípites é uma decisão pior.
- Decidir quando hidratar/comer — durante a corrida após o burpee é um bom momento para um pequeno gel. Tentar comer durante uma estação de força é impossível.
- Antecipar a quebra mental — saber que vais sentir crise nos minutos 40–50 (entre o burpee e o rowing) é meio caminho andado para a aguentar.
Limites do modelo
O modelo é genérico — não conhece a tua composição de fibras musculares, o teu histórico de treino, nem se dormiste mal na noite anterior. Trata os números como tendência, não como verdade absoluta. O melhor uso é comparativo: depois da prova, vê onde a tua experiência real divergiu da previsão. Aí aprendes onde precisas de trabalhar.