Começamos oito amigos e assim acabamos, a cortar a meta ao mesmo tempo, com o mesmo resultado ao segundo: 1:27:05. Foi assim que terminou a minha primeira corrida de obstáculos, a BastoFit Race, em Cabeceiras de Basto. Não fomos à procura de prémios. O objetivo era outro: perceber em quanto tempo um grupo de amigos conseguia fazer 9 km e 30 obstáculos sem deixar ninguém para trás.
Resumo de Performance
Finalizamos à volta do 55.º lugar em 151 participantes da categoria, com os 8 elementos a cortar a meta juntos em 1:27:05.
4 em cada 5 minutos de prova passados entre 128 e 155 bpm.
Apenas 1:10 acima de 155 bpm em quase hora e meia de esforço.
Um único castigo pessoal (20 agachamentos) em 30 obstáculos.
270 m de desnível positivo em 9,08 km, cerca de 30 m por quilómetro.
A BastoFit Race 2026: o que é e como funciona
A prova realizou-se a 4 de outubro de 2026. Segundo a ficha do evento no RaceFinder, é uma corrida de obstáculos urbana com cerca de 9 km e mais de 30 obstáculos. A partida e a chegada foram no parque do Mosteiro de São Miguel de Refojos, com várias vagas de partida a partir das 15:00. A nossa saiu às 15:40.
Há três formas de participar: a Liga Competitive, individual e focada na competição; a categoria Guerreiro individual, mais virada para a diversão; e a Guerreiro em equipa, que foi a nossa. A agenda da Revista Atletismo indica a Cyclones Sports como contacto da prova.

Os obstáculos misturavam um pouco de tudo: buracos de lama, paredes de palha para saltar, redes para passar por baixo (algumas com choques), rampas, um slide sobre o rio, transporte de pneus e um escorrega improvisado numa pequena colina. Havia equilíbrio, força de braços e de pernas, resistência e, em vários pontos, trabalho de equipa para passar mais depressa. Para quem vem da corrida de estrada, é um desporto diferente: o ritmo por quilómetro deixa de ser a métrica que manda.

A prova em números
O relógio registou a atividade do princípio ao fim. Juntei à tabela o tempo do 1.º classificado para mostrar a distância entre quem corre para ganhar e quem se está a estrear nestas andanças.
Métrica | Valor | Contexto |
|---|---|---|
Tempo oficial | 1:27:05 | ~ 55.º de 151 participantes |
Tempo no relógio | 1:25:36 | 1:29 abaixo do tempo oficial |
Distância (GPS) | 9,08 km | Em linha com os 9 km anunciados |
Ritmo médio (relógio) | 9:26 /km | Inclui obstáculos, filas e castigos |
Ganho de elevação | 270 m | Altitude entre 268 e 403 m |
FC média | 137 bpm | Intervalo registado: 63–158 bpm |
FC máxima | 158 bpm | Único pico dentro da Zona 4 |
1.º classificado | 56:22 | 30:43 mais rápido que a nossa equipa |
O ritmo de 9:26 por quilómetro parece lento para quem pensa em corrida, mas aqui não mede a capacidade de correr e sim o tempo parado nos obstáculos e a velocidade do elemento mais lento do grupo. A diferença para o vencedor é grande, mas é sobretudo uma diferença de objetivo: uma equipa de oito a ajudar-se mutuamente nunca vai andar ao ritmo de quem vai para ganhar.
Nota para provas OCR
Preparar para a primeira prova de obstáculos, não pode ter um objetivo de ritmo por quilómetro mas sim um objetivo de castigos e de tempo parado. Nas provas em equipa, convém definir antes da partida quem marca o ritmo e quem ajuda em cada tipo de obstáculo.
Onde passei o tempo: zonas de frequência cardíaca
Uma corrida de obstáculos tem fama de ser um esforço intenso, aos solavancos, mas no meu caso, a coisa é mais interessante. Os meus números dizem outra coisa.
Zona | Intervalo | Tempo | % do tempo |
|---|---|---|---|
Zona 1 | <127 bpm | 15:34 | 18% |
Zona 2 | 128–141 bpm | 35:24 | 41% |
Zona 3 | 142–155 bpm | 33:39 | 39% |
Zona 4 | 156–168 bpm | 01:10 | 1% |
Zona 5 | 169+ bpm | 00:00 | 0% |
Passei a prova quase toda entre um esforço confortável e um esforço moderado, e nunca cheguei perto da Zona 5. Faz sentido: num grupo de oito, o ritmo é o de quem vai mais devagar, e as esperas nos obstáculos funcionam como pausas de recuperação. Quase um quinto do tempo em Zona 1 é precisamente isso: filas, ajudas e momentos parados.
Em 1:25:36 de atividade, apenas 1:10 foi passado acima de 155 bpm.
Aqui demonstra que havia margem física para ir mais rápido. Não a usei porque o objetivo não era esse. Os 270 m de desnível positivo (a altitude oscilou entre 268 e 403 m) também não chegaram para empurrar a frequência cardíaca para cima. É um desnível modesto quando comparado com os percursos de trail mais exigentes do país, onde se sobem centenas de metros em poucos quilómetros.
A recuperação depois da meta
O relógio registou 104 bpm às 17:08, 116 bpm ao fim de um minuto e 101 bpm ao fim de dois. A subida ao primeiro minuto não é um mau sinal fisiológico, é contexto: são leituras feitas logo após a meta, sem um repouso controlado. A descida de 15 batimentos entre o primeiro e o segundo minuto é o dado mais limpo que tenho, mas não o trataria como um teste de recuperação a sério.
O que correu bem, o que correu mal
A equipa cumpriu pouquíssimos castigos e a prova foi certinha do início ao fim. Em termos pessoais, só falhei um obstáculo: uma viga de madeira com cerca de 3 a 4 metros, apoiada apenas por uma corrente em cada extremidade.

Para a passar era preciso equilíbrio e, se calhar, ganhar algum balanço antes de chegar ao obstáculo. Já estávamos perto do fim e neste caso compensava mais cumprir o castigo de 20 agachamentos do que insistir e perder tempo em tentativas falhadas. Com o coração longe do limite, o castigo saiu barato. Numa prova individual a sério, em que cada segundo conta, esta decisão teria de ser treinada antes, e não improvisada no momento.
O trabalho de equipa teve o seu lado cómico. Houve quem atirasse água nos buracos de lama, e houve tentativas de ajudar colegas a subir as redes de corda em que lhes segurávamos os pés com tanta força que nem os deixávamos avançar. O momento do dia foi no escorrega: uma amiga com medo de alturas hesitou tanto lá em cima, agarrada à mangueira que tornava a descida escorregadia, que quando finalmente desceu trouxe parte da mangueira com ela até ao fim. Estava muita gente a assistir: primeiro vieram as palmas e os gritos de incentivo, depois as gargalhadas.

O que poderia aplicar numa futura preparação
Se vens da corrida ou do HYROX, como eu, a corrida de obstáculos vai baralhar-te as referências. Se algum dia quisesse levar este tipo de prova mais a sério, estes são os pontos que levaria:
Treinar o equilíbrio de forma específica. Vigas instáveis e superfícies que se mexem não se resolvem com força. Incluir exercícios de equilíbrio e travessias em superfícies estreitas no aquecimento.
Cronometrar o castigo antes da prova. Saber quanto tempo demoro a fazer 20 agachamentos já cansado; para isso, basta um temporizador de intervalos. Assim posso decidir em segundos se vale a pena insistir no obstáculo.
Em equipa, combinar papéis. Quem dá pé nas paredes, quem puxa por cima, quem marca o ritmo nas subidas. A nossa equipa terminou junta porque o objetivo estava definido desde a partida.
Esquecer o ritmo por quilómetro como métrica principal. Usar a frequência cardíaca para perceber se o limite está no coração ou nos obstáculos. No meu caso, nunca esteve no coração.
Se o teu objetivo for competir na Liga Competitive, o trabalho muda: aí o ritmo de corrida entre obstáculos volta a contar, e uma tabela de ritmos de corrida por nível ajuda a definir a que ritmo tens de correr nos troços sem obstáculos para não perder minutos.
Uma prova, oito pessoas, alguns dados e bastante diversão
Os números desta prova dizem mais sobre a equipa do que sobre mim: a frequência cardíaca mostra um esforço controlado porque o ritmo era coletivo, não porque a corrida de obstáculos seja fácil. Foi uma única prova, em formato de grupo e sem intenção competitiva e por isso estes dados são apenas um ponto de partida. Recomendo a todas as pessoas que queriam um desafio diferente, bastante competitivo e onde podem denunciar a lacunas no vosso treino. Recomendo também que a façam em equipa, torna tudo bem mais divertido!
Um agradecido especial aos amigos que fizeram parte deste grupo: António, Carina, Jorge, Mariana, Osvaldo, Valdemar e Vera! 💪