Cortámos a meta com 1:10:05 no tempo oficial e o 8.º lugar entre 45 duplas mistas. Mas o número que mais me diz desta BEATx HYROX Simulation não aparece na classificação: zero cãibras. Em Rimini, três meses antes, tive de parar um minuto antes do Farmers Carry à espera que os quadríceps deixassem de prender. Em Penafiel, com 30 graus e a pista ao sol, isso não aconteceu. A explicação está mais no que fiz nas horas antes da partida do que naquilo que fiz durante a prova. Esta foi a minha primeira vez em Doubles Mixed.
Resumo de Performance
8.º lugar entre 45 duplas, a 11:59 da dupla vencedora.
As oito corridas somaram 40:44, perto de 58% do tempo de prova.
Do 2.º ao 7.º km o ritmo caiu 69 segundos (4:33 para 5:42).
94% do tempo passado entre as zonas 3 e 4; zero segundos em zona 5.
Sled Pull em 4:45, mais do dobro do Sled Push (2:01).
Uma simulação HYROX ao ar livre, em pleno setembro
A BEATx Penafiel decorreu a 5 de setembro de 2026 no Parque Desportivo de Penafiel, com 8 km de corrida, 8 estações e categorias Singles e Doubles, julgada pelos standards HYROX e com penalizações para quem não os cumprisse. É uma mudança grande face à edição anterior: em 2025 a prova foi no Pavilhão de Feiras e Exposições, em recinto fechado, organizada pela BEAT Academy com o Município de Penafiel.

Apesar de ser uma simulação, estava extremamente bem organizada. O percurso usava a pista de atletismo à volta do campo, muito parecido a outras provas que seguem o mesmo modelo, como o Hybrid Day de Leiria por exemplo. Uma característica deste tipo de percurso está na "roxzone". Era grande: depois de cada estação tínhamos de atravessar o campo inteiro para voltar a correr. Isso conta para o relógio: o meu Apple Watch registou 10,28 km, não 8.
Em Doubles, as duas pessoas correm juntas todos os quilómetros e dividem como quiserem o trabalho das estações, desde que estejam ambos na estação (as regras completas estão no regulamento oficial de Doubles da HYROX). Ou seja: a corrida é sempre ao ritmo do mais lento, e a divisão das estações é onde a estratégia entra.

A prova em números, parcial a parcial
A tabela junta os parciais oficiais da SincTime e a forma como dividimos cada estação.
De notar que a nossa prova teve 11:59 de diferença para o 1.º lugar! O que dá cerca de 45 segundos perdidos em cada um dos 16 segmentos da prova.
# | Corrida | Estação | Tempo estação | Divisão (eu / parceira) |
|---|---|---|---|---|
1 | 3:33 | SkiErg | 4:35 | 60/40 (5 blocos de 200 m; fiz o 1.º, o 3.º e o 5.º) |
2 | 4:33 | Sled Push | 2:01 | 80/20 em cada pista |
3 | 5:16 | Sled Pull | 4:45 | 80/20 em cada pista |
4 | 5:25 | Burpee Broad Jumps | 2:57 | cerca de 65/35 |
5 | 5:30 | Remo | 5:13 | 70/30 (300-300-400 m; comecei e acabei) |
6 | 5:37 | Farmers Carry | 2:32 | 80/20 |
7 | 5:42 | Sandbag Lunges | 3:41 | 60/40 |
8 | 5:08 | Wall Balls | 3:44 | 60/40 |
Total | 40:44 | 29:28 | Oficial: 1:10:05 |
A leitura é simples: as estações estiveram controladas, as corridas podem melhorar. Em nenhuma estação a divisão deixou de funcionar, mas a partir do 3.º quilómetro passámos a correr acima dos 5:15 e só voltámos abaixo disso na última volta.
Nota para o futuro
Ao treinar em dupla, é importante decidir a divisão de cada estação antes da prova e escrever em percentagens, como na tabela acima. Depois testar as trocas nas duas semanas anteriores, com carga real. Assim, no dia da prova, a energia vai para correr e não para decidir quem pega no trenó.
As corridas: onde a prova se decidiu
O primeiro parcial (3:33) não é comparável com os outros e não tiro conclusões dele. A partir daí, a tendência é clara: 4:33 no segundo quilómetro, 5:42 no sétimo. Sabia antes de partir que a corrida podia pesar, sobretudo com calor, e foi exatamente isso que aconteceu. O último quilómetro em 5:08 mostra que ainda havia algo guardado para o fim.
Se quiseres fazer este exercício com a tua prova, a calculadora de splits de corrida ajuda a definir um ritmo-alvo por volta antes de partires, em vez de descobrires a quebra só no fim.
As estações: a divisão funcionou, o Sled Pull não

O contraste mais forte da tabela está nos trenós. Dividimos ambos da mesma forma, 80/20 em cada pista, e o Sled Pull demorou mais do dobro do Sled Push. Numa prova em que perdemos em média 45 segundos por segmento para os vencedores, esta é a estação onde os números pedem mais trabalho. O remo (5:13) também foi longo, mas foi aí que ambos tomámos um gel, por isso parte desse tempo foi escolha nossa.
No resto, a divisão resultou muito bem. No total fiz mais trabalho, o que faz sentido: treino habitualmente com a minha parceira e conhecíamos bem os pontos fortes e fracos de cada um. E fruto disso foi o facto de não levarmos penalizações.
Coração: muito tempo na zona 3, nada acima dos 169
Comparar com Rimini ajuda a perceber o que mudou. Não é a mesma prova; lá fiz Single Open, sozinho, em pavilhão com ar condicionado. Contudo, curiosamente o relógio e o critério de zonas são os mesmos.
Métrica (Apple Watch) | Rimini — Single Open, maio 2026 | Penafiel — Doubles Mixed, setembro 2026 |
|---|---|---|
Tempo de treino registado | 1:24:53 | 1:12:22 |
FC média | 148 bpm | 151 bpm |
FC máxima no gráfico | 165 bpm | 168 bpm |
Zona 3 | 36:50 | 46:08 |
Zona 4 | 30:25 | 21:42 |
Zona 5 | 00:00 | 00:00 |
FC 1 minuto após o fim | 101 bpm | 99 bpm |
Em Doubles descansas enquanto o parceiro trabalha, e mesmo assim a frequência cardíaca média foi mais alta do que em Rimini. O calor e o ritmo mais rápido são a explicação mais provável. O que mais me interessa é a ausência de zona 5 nas duas provas: o coração nunca foi o fator limitante. O limite esteve nas pernas, no calor e, em Rimini, nas cãibras. No fim, desci de 125 para 99 bpm no primeiro minuto. Acabou por ser uma recuperação rápida, sinal de que a base aeróbia aguentou bem a hora e dez de esforço.
Pontos de viragem: o que mudou desde Rimini
Em Rimini, na minha estreia no Open M 30-34, cheguei ao hotel depois da meia-noite, parti de manhã cedo e tive cerca de 10 minutos para aquecer. As cãibras nos quadríceps foram a consequência. Desta vez, o contexto era o oposto em quase tudo, e cada diferença obrigou a preparar de forma diferente.

Descanso: ao contrário de Rimini, consegui descansar o necessário.
Horário e alimentação: partimos às 16:50, por isso a prova foi gerida ao longo do dia inteiro, do ponto de vista do estômago. Fiz todas as refeições a horas e reforcei os hidratos a tempo.
Hidratação: com 30 graus, beber ao longo do dia foi tão importante como comer. Durante a prova fomos bebendo água aos poucos depois das estações.
Combustível em prova: um gel cada um durante o remo, a meio da prova.
Transições: nas duas últimas semanas testámos as trocas nas estações para evitar penalizações. Não foi muito tempo, mas na minha opinião não foi fator decisivo durante a prova.
Se tivesse de escolher um fator, seria o descanso e a alimentação. O resultado foi uma prova sem quebras por cãibras e muito mais tranquila. O único custo físico veio do calor da pista: a minha parceira acabou com uma ferida no pé, nada de grave, mas fica o aviso para quem faz provas ao ar livre em setembro.
O que podes levar para a tua preparação
Duas provas não fazem uma regra, mas apontam caminhos concretos para quem prepara uma simulação ou uma prova oficial:
Planeia o dia pela hora de partida. Uma partida às 8:30 e outra às 16:50 pedem planos de refeições e hidratação completamente diferentes. Escreve o teu e procura ajuda com pessoas mais experientes.
Em provas ao ar livre e com calor, parte mais conservador. Uma quebra de mais de um minuto por quilómetro entre o início e o fim custa mais do que qualquer transição mal feita.
Mede a tua quebra depois da prova. A calculadora de índice de fadiga HYROX mostra quanto perdeste da primeira para a segunda metade da prova e em que segmentos.
Compara-te com a categoria certa. Os tempos médios HYROX por categoria e género dão-te uma referência mais sólida do que uma única classificação de simulação.
Estima o teu tempo numa prova HYROX com base no ritmo de corrida, nível de treino e experiência em provas — com breakdown detalhado por estação.
Usar ferramenta →O que estes números valem (e o que não valem)
É uma simulação, num dia de calor, comparada com uma prova individual em pavilhão — a amostra é curta e não serve como regra fechada. Mas a tendência é clara: com o descanso e a alimentação bem tratados, as cãibras desapareceram, e os números apontam para dois sítios onde trabalhar a seguir: correr em diferentes condições meteorológicas e melhorar a técnica no Sled Pull.
Um agradecimento especial para a minha parceira, Carina, que teve de lidar comigo durante toda a prova e na preparação! A experiência em provas duplas anteriores ajudou imenso a gerir e a preparar esta!
A cada prova é mais fácil reconhecer o corpo e como ele se adapta. Veremos como correrão as seguintes.